Sunday, April 15, 2007



BIOGRAFIA


Nascido em 1970, Dico é fã de música desde os 7 anos. Aos 11 ouve o então recém-editado The Number of the Beast, dos Iron Maiden, apaixonando-se irreversivelmente pela música pesada. Aos 12 anos escreve as primeiras letras e aos 15 frequenta aulas de bateria, que deixa no fim do ano mas às quais regressa em 1988, após adquirir o primeiro kit, de marca Superstar (!) com pratos Paiste.


A carreira musical
Em Novembro de 1988 funda os Paranóia com o amigo de infância Dave “Mille” (guitarra, voz). Praticante de Hardcore/Noise/Grind, o duo (que opta por não incluir um baixista) baseia a sua curta existência numa abordagem musical imatura, sem regras, cujo único objectivo é gerar o maior número de decibéis possível, o que se revela bastante simples, dado os “músicos” não possuírem a mínima experiência de grupo ou de composição.

Assim, nenhum tema das rehersal-tapes Paranóia e Manicómio - gravadas e lançadas no início de 1989 com três semanas de diferença – é ensaiado antes das gravações, tendo como único fio condutor as letras, previamente escritas, e uma breve troca de ideias nos momentos anteriores à captação. Apenas a promo-track Thrash!, inédita até agora, é registada de forma convencional, em estúdio, mas ainda assim baseada no improviso. Em ambas as versões do tema Dico encarrega-se das vozes.

Surpreendentemente, o projecto – cujas palavras-chave se resumem a “barulho” e “desafinação” - vende mais de 30 exemplares das rehersal-tapes, sendo objecto de entrevista na fanzine portuense “Culto Urbano” e de notícia no mítico programa radiofónico “Lança-Chamas” (registo que, aliás, pode ser ouvido em MP3 no ficheiro ZIP abaixo disponibilizado). O núcleo de fãs sedeado nas Caldas da Rainha torna-se lendário. Sem que o fim do projecto seja oficializado e já alguma noção de técnica e musicalidade, o vocalista/guitarrista cria o projecto a solo Dave Mille’s Hardcore/Noise Project e, em Abril de 1990, Dico ingressa nos Dinosaur.


O baterista estreia-se ao vivo com a banda no mês seguinte mas intransponíveis dificuldades levam o então quinteto a separar-se. Jorge Courela (guitarra) e Dico, por um lado; e Tó (voz), Mika (guitarra) e Rolando (baixo), por outro, formam novos projectos mas, insatisfeitos com os resultados obtidos, re-formam os Dinosaur em Outubro.

No início de 1991 a banda grava a maqueta de estreia, homónima, durante cujas gravações Tó abandona, passando Jorge Courela a assumir a voz e a guitarra. A banda imprime então mais peso e agressividade à sua música, evidenciando inequivocamente as influências dos Metallica, sua principal fonte de inspiração.


É com os temas «Warfare», «Noise On Peace» e «Life is For The Living», disponíveis na maqueta, que a banda participa no 1.º Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa, um certame que, pelo seu imediatismo e importância, rapidamente faz história.

Frente a duas mil pessoas, os Dinosaur disputam com outros nove grupos as semi-finais do concurso, a 5 de Junho, no Cais do Sodré. A invasão de palco nos primeiros 30 segundos do concerto por fãs enlouquecidos faz exceder o período regulamentar de actuação (30 minutos), motivando a desclassificação do quarteto.

Após a transmissão de «Warfare», ao vivo no Johnny Guitar, no programa musical “Pop-Off”, da RTP 2, a banda grava os videoclips dos temas apresentados a concurso, além de uma entrevista com Jorge Courela, exibidos em destaque no programa "Clip-Club", do mesmo canal televisivo. Os Dinosaur tornam-se num caso ímpar de popularidade no Metal underground nacional, já que, na época, apenas os Censurados, Procyon, Ibéria e Tarantula haviam gravado telediscos.

Multiplicam-se os espectáculos (destaca-se a primeira parte dos Censurados no Clube Recreativo da Bobadela, a 28 de Junho) e as aparições na imprensa ("Rock Power", "Super Som", "Blitz", "A Capital", "Diário Popular", "Ritual", dezenas de fanzines) e na rádio (programa “Lança Chamas”, da Rádio Comercial, e estações locais de todo o país). Além dos temas passados a teledisco, «Mercenary» (também incluído na demo-tape), «Surf Busters», «Nuclear Sound», «Accident» e «Anarchy in the U.K.» (cover dos Megadeth sobre o original dos Sex Pistols» tornam-se clássicos do Metal nacional.


Na altura, o quarteto já havia completado a quase totalidade das canções visando a gravação da segunda demo, que chega a designar-se Seven Songs of Sadness e deveria incluir os temas «Accident», «Conspiracy» «Giants: Awake», «Song of Sadness» (instrumental), (I Don't Know) What i Want», «Too Old to Die» e um outro, ainda sem nome.

Em Outubro Dico é submetido a uma cirurgia a ambos os joelhos, obrigando a banda à inacção durante um mês. Terminada a convalescença, e na sequência de um convite para integrar a lendária colectânea em vinil duplo The Birth of a Tragedy, com selo MTM Records, o quarteto grava «Accident». Contudo, em Março de 1992 Dico oferece o lugar a Paulo Alexandre, abortando os planos de gravação de Seven Songs of Sadness. Meses depois a compilação é lançada, mas na foto de grupo é Paulo Alexandre quem aparece, embora a pista de bateria seja aquela gravada por Dico.

Entretanto, já o baterista acompanha os Estalada Total, com os quais se mantém apenas dois meses, por inadaptação de ambas as partes. Funda então os Orion Belt (primeira encarnação do que viriam a ser os Powersource) com o amigo e guitarrista Rui Lourenço. Na época, adquire um pedal duplo Pearl. Apesar dos originais compostos e da cover de «Mad Butcher» (dos Destruction) ensaiada, o projecto não logra completar o line-up, diluindo-se na sequência do convite dos Sacred Sin, em Agosto de 1992, para que o baterista ingresse na banda. Entretanto, o homem das peles ocupa o décimo lugar na votação dos leitores da revista Rock Power para escolher os dez melhores bateristas nacionais de Metal em 1991.

Dico participa então nalguns concertos da digressão Tragedy on the Road e noutros antes de, em Outubro, gravar o álbum Darkside, ao longo de 19 horas consecutivas num kit electrónico de má qualidade ao qual tem de se adaptar enquanto ensaia os temas.

Lançado em meados de 1993 o disco é bem acolhido pela crítica europeia - recebe avaliações de 5/5 na "Super Som", 8,5/10 na "Aardshockdag", 3/5 na "Heavy Rock" e 7,5/10 na "Rock Hard", por exemplo -, catapultando os Sacred Sin para o topo do Death Metal europeu.

Seguem-se novos espectáculos em terras lusas mas, encontrando-se a viver um período conturbado da sua vida que o impede de proporcionar à banda a estabilidade merecida, Dico abandona amigavelmente em Junho de 1993. Antes ainda é transmitido um excerto de «Terror Rise» (ao vivo no Jhonny Guitar) no programa "Pop-Off". Dico ocupa o oitavo lugar na votação dos melhores bateristas nacionais de Metal da revista "Super Som" relativo a 1992.


O tema-título do álbum dá então origem ao respectivo teledisco (já com Jorge Marques, ex-Silent Scream, nas peles), tornando-se o primeiro de uma banda ou artista nacional a ser emitido pela MTV (no programa "Headbanger's Ball"). Em 1994 Darkside conhece nova edição, agora remisturada.

Entretanto, no Verão de 1993 Dico ingressa nos Timeless (ex-Fretboard), à época executantes de Hard FM. Em Janeiro de 1994 a banda grava a maqueta de estreia, homónima, que inclui os temas «Fame & Glory», «I Am the One», «With You» e «Dare 2 Dream». Alvo de significativo airplay, os temas passam nas rádios Energia, Super FM, Marginal, RC da Linha de Sintra e noutras fora de Lisboa. São ainda publicados artigos no "Blitz", "Super Som" e em várias fanzines. Dico ainda se estreia ao vivo com a banda em Junho de 1994 num concurso de bandas em Lisboa, mas abandona meses depois.

Na época, a par dos Timeless, o baterista acumula funções nos Powersource, que funda, deste vez com sucesso, em Dezembro de 1993. O guitarrista/vocalista Ricardo “Choc” (Moby Dick, ex-Eutanásia) junta-se de imediato à banda, seguido, em Janeiro de 1994, por Sérgio “Tareco” (guitarra solo), substituído por Vítor “Vitinho” dois meses depois.

Em Abril de 1994, ainda sem baixista, o grupo regista os temas “My inner fears” e “At the Front”, com produção de Jorge Adónis e editados sob a forma da Promo-tape ’94. Ricardo “Choc” assegura a gravação do baixo e Dico regista os teclados

Seguidamente, verifica-se o normal processo de divulgação, acolhendo a banda um forte aplauso junto do público e da imprensa especializada. Junho fica marcado pela entrada do baixista Gonçalo Gandra e pelo início do processo de composição da segunda demo-tape.

Agora situando-se num cruzamento sonoro entre o Thrash Metal clássico dos Metallica, Megadeth ou Destruction; o Metal Progressivo dos Dream Theater e o Thrash técnico dos Mekong Delta e Target, a sonoridade do colectivo denotava uma evolução significativa no que respeita à composição e execução.

Mas, em Janeiro de 1995, após "Vitinho" e "Choc" abandonarem, o baterista decreta o fim da banda. Vende então o material e abandona a música. Nos anos seguintes explora as potencialidades oferecidas pelos programas informáticos para composição, gravação e mistura de música, escrevendo os cinco temas experimentais incluídos na maqueta semi-conceptual a soloTales From the Darkside, lançada em Abril de 1999.

Agrupando influências de música clássica, bandas sonoras de cinema fantástico, música medieval e experimental sem regras pré-definidas, a maqueta recebe más críticas no jornal "Raio-X" e na revista "Riff" (na qual o baterista tornado jornalista vem a colaborar no início de 2000).

O jornalismo de música
(disponível em breve)